terça-feira, 8 de novembro de 2011

VEJA SE NÃO FOSSE A VEJA!


É... mais um ministro da Dilma está prestes a "cair", por denúncia de corrupção no seu ministério, e de novo com denúncias ligadas a ONGs. Ministro Carlos Lupi do Ministério do Trabalho.

Todos os ministros que tiveram o mesmo destino são ministros do Lula, mantidos a pedido dele e aceitos pela Dilma. Não esqueçamos jamais: a Dilma foi e é conivente com o desempenho desses ministros. Ela foi membro do governo Lula: só foi a Chefe da Casa Civil. Não pode alegar que não sabia de nada.

Se não fosse a revista Veja denunciar a corrupção institucionalizada deste e do governo anterior, até quando continuaríamos a ser roubados pela companheirada? Sim, porque os impostos que nós pagamos são o caixa para pagar esses ministérios e toda a propina que deles sai.

A Dilma, por sua vez, só fez as "faxinas" no seu governo, porque a Veja denunciou. Caso contrário, teria ficado quietinha.

Foi nesse tom que o jornalista e comentarista Merval Pereira, da CBN, fez o seu comentário de ontem. Aliás, perfeito! O link para o comentário coloquei no final desta postagem.

Merval voltou de férias e comentou também sobre a doença do Lula.

Lembrei-me da palestra do jornalista, que foi no Teatro Marista, mês passado, onde ele falou sobre perspectivas do governo Dilma e da herança do governo anterior. Ele disse que todo o pessoal que fazia oposição no passado, está hoje sendo financiado pelo governo (ONGs, sindicatos, movimentos de classe) e não tem ânimo para fazer barulho. Mas que as redes sociais estão chegando... E eu incluo: a revista Veja está mais viva do que nunca.

Merval também disse que o Lula só não voltará em 2014 se a economia estiver tão ruim que coloque em risco a sua fama. Mas se estiver mais ou menos ele volta. Nessa hora, atrás da poltrona que eu estava, um rapaz comentou com o outro: "se a cirrose não pegar o Lula antes". Olhei para trás, e concordei com ele. Não que deseje isso ao Lula, mas qualquer um que tenha planos para o futuro deve incluir cuidar da sua saúde física. E todo o mundo sabe que o Lula é viciado na bebida alcoólica (boa parte das charges e piadas dele dão conta disso) e no cigarro. Não há saúde que resista a essa combinação bombástica. Não há planos futuros que possam ser traçados vivendo uma vida assim. Na realidade, ninguém sabe se estará vivo no minuto seguinte. Quanto mais levando a vida com alguns dos piores vícios.

Bom... neste momento, Lula está se havendo com o corpo cobrando o tratamento que lhe foi dispensado anos a fio.

Uma coisa é certa: a fatura sempre chega. Seja para nós (essa chega todo dia no supermercado, na conta de luz, na escola, ....), seja para eles. Lei da ação e reação. Não tem como fugir.


O comentário do Merval Pereira, de ontem (clique sobre o título):

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O QUE ME MOVE

Lago Igapó - Londrina: cidade que elegi como um dos meus objetivos de vida

Outro dia assisti uma palestra no programa Café Filosófico*, com o filósofo e psicanalista André Martins, cujo tema era “O Conhecimento como o Maior dos Afetos”. E ele fez uma explanação sobre os pensamentos de  Spinoza e Nietzsche sobre os afetos. E chegou ao livre-arbítrio, que tanto quanto os afetos, me interessa.

O psicanalista disse que:

 “Afeto vem de afetar-se. É o resultado do que nos marca no nosso convívio, na nossa interação com o mundo e com as pessoas.”

“O meu arbítrio não é livre, porque o arbítrio é influenciado pelos afetos, pelo que me move.” 

Anotei essas duas falas acima porque me vi nelas.

O que sempre me moveu na vida foi ter objetivos a alcançar. Seja um novo trabalho, um novo curso, um vestido, um lugar para morar, um amor, a manutenção da saúde, ter paz, ser feliz. Afetar-me sempre com alguma coisa. 

Já reparei que fico “perdida” quando não tenho objetivos claros a alcançar. Fico ensimesmada enquanto eu não coloco um propósito na minha vida. Trabalho, trabalho, penso, penso, até encontrar algo com o que me dar conta. É verdade que esse algo chega, por vezes, sem eu ter trabalho algum. Por exemplo, uma paixão, um encantamento por um homem. Bom... dessa paixão ainda falarei em outra postagem, especificamente. Merece!

Meus objetivos tropeçam ou transformam-se, não raras vezes, em paixões. É que depois de alcançá-los, vivo-os por inteiro. 

Quando me apaixono por algo, chego até enjoar, porque quero viver intensamente o objeto da minha paixão. Um exemplo: se eu aprendo a fazer doce de abóbora, que adoro, faço-o muitas vezes seguidas. Minha irmã sempre me diz que eu exagero, que é por isso que depois eu enjoo. Algumas vezes ela acerta em cheio. Noutras, a minha paixão logo se transforma em amor, e daí, não vou enjoar nunca mais. Vou conviver com o doce que nem sempre sairá como eu esperava, ou porque a abóbora não estava tão madura, ou porque eu fui para a internet e o esqueci no fogo e queimou um pouco, ou porque comprei uma abóbora que não era tão boa para fazer aquele doce. Contudo, não me importo, vou levando a minha vida dessa forma, desde sempre. Sou assim. Mordo a fruta com todos os dentes.

Procuro sempre viver com os dois pés no chão, mas os meus passos ao encontro dos meus objetivos são sempre dotados de sentimento, de emoção. Por mais que os objetivos sejam metas objetivas. Sou afetada por eles, ou pelos acontecimentos, ou pelas pessoas que me acompanham, e realmente o meu arbítrio por vezes não se torna livre, na medida em que me importo com o que está nas minhas ocupações no meio do caminho.

Não sei dizer se estou certa agindo dessa maneira, ou se estou errada. Mesmo porque não tenho conhecimento teórico, nem filosófico, para falar sobre paixões e afeições.Vivo-as, na prática, do meu jeito. Mas, pelo menos creio que cheguei até aqui, nesta vida, com saldo positivo nas minhas afeições, e os objetivos que tracei, a maioria deles, me trouxeram mais alegrias que fracassos, embora carregados de paixões. 

É nisso que dá se envolver com a vida. Ainda bem!

E você, o que lhe move?

(*) O link para o Café Filosófico está na guia Espiritismo e Filosofia, neste blog.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

SORRIA... VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO!

Museu Pe. Carlos Weiss - Londrina - PR

Perdemos, deliberadamente, a privacidade.

A nossa vida nunca esteve tão exposta como nos tempos de hoje. 

Com o celular lhe encontram até se você estiver no Himalaia. E ai de você se não atender   o seu celular.  É... parece que as pessoas não entendem que o celular é um objeto que tem um dono. O dono, por sua vez, tem o arbítrio de querer ou não atender. E se não atende, ainda é obrigado a ouvir  “Liguei pra  você e você não atendeu!”.  Como se tivéssemos obrigação de.

Eu sou do tempo que não havia celular. Aliás, quando ele surgiu, era um tijolão, cuja bateria tinha autonomia de 3 horas. Tive um da Motorola, modelo “PT alguma coisa”. Pelo menos eu era obrigada a estar disponível somente nas 3 horas e nada mais. Se não me encontravam em casa, não tinha cobrança, ninguém virava a cara comigo, simplesmente esperava eu chegar. Civilizada e educadamente.

Hoje, dentro da circular, fiquei sabendo da vida de uma senhora, a que horas ela estaria em casa e o que estava indo fazer no centro da cidade. Tudo pela conversa dela ao celular. Aliás, o ônibus todo ficou sabendo. Como fica fácil para qualquer ladrão obter informações sobre nossos hábitos e costumes! Fiquei pensando que se no ônibus houvesse um ladrão que sabia onde ela morava, já tinha a deixa para fazer uma “visitinha” na casa dela. Também teve um senhor que contou à outra pessoa do outro lado, que fulano estava no Orkut acompanhado da amante. E que da mulher não tinha foto alguma. 

Ah! As redes sociais! Outro dia ouvi na CBN que se uma pessoa colocasse em um ponto de ônibus várias fotos dela, ou uma folha contando da sua vida, não estaria tão exposta quanto está no Orkut ou no Facebook. E é verdade. E não adianta você não ter qualquer login nessas redes. Seus amigos têm, publicam fotos suas, e contam sobre você. Ou seja, nossa vida é literalmente um livro aberto, ou melhor, escancarado. Fico pensando que se eu fosse um bandido, escolheria minhas vítimas, todas, nas redes sociais. Faria até um planejamento dos roubos; um projeto. Está tudo lá!

As empresas não mais estudam os candidatos a cargos somente pelo currículo ou pela entrevista. Entram nas redes sociais e de antemão já sabem o que realmente os candidatos pensam. Então, não adianta você dizer na entrevista que está precisando muito daquele emprego, que sabe respeitar hierarquia, que é uma pessoa de bem com a vida, se você “twittou” o contrário.

Outra coisa que nos expõe muito são aqueles adesivos de carro, com a “família feliz”. Se você prestar bem atenção, você conta uma história da família, inclusive psicologicamente. Pode reparar que além de todo mundo ficar sabendo que você tem periquito, cachorrinho e cachorrão, você ainda entende a “hierarquia” dentro da casa do dono do carro. Muitas vezes o marido vem primeiro, o filhinho no meio, e a mulher depois. Claramente você percebe que naquela família o filho está no meio do casal. Tem até quem coloque uma figura representando a avó como o primeiro da fileira. Dureza, heim, a sogra vir em primeiro lugar! E quando o cachorro vem antes dos filhos? Difícil!

Só por esses exemplos acima, já dá pensar que com o Bolsa-Família e um roubo facilitado aqui e acolá, não precisa trabalhar!

Falando em trabalho, há empresas que fazem páreo para o Big Brother. Eu mesma trabalhei em uma, que só não tinha câmera no banheiro e no vestiário. De resto...

Até na casa da gente, entre quatro paredes, se não tomar cuidado nossa vida é exposta ao mundo. Na novela das 9 horas, que acabou meses atrás, havia um casal bem jovem que teve a sua primeira noite de amor filmada por uma câmera instalada por um rival do rapaz, que se passava por amigo dele, mas que na realidade desejava a sua namorada.  E o filme foi parar na internet. Isso não é somente coisa de novela, não. É bem provável de acontecer, talvez não da mesma forma. Mas até pelo próprio parceiro, se você não o conhecer bem e levá-lo pra dentro de casa.

E chego ao blogs, como este, que acabam expondo nossa vida. Daqui bem pouco tempo você poderá traçar um perfil desta que vos escreve, pelas postagens e pelas preferências musicais, literárias, culinárias e etc, etc, etc. ...

Bom... Já que não tem como ser diferente, senão a gente fica parada no tempo, o jeito é sorrir e se deixar filmar.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

DIA DE FINADOS

Estrada rural em Uraí - PR

“Não foi a morte de Jesus que nos salvou. Foi a sua vida.” 

Ouvi essa frase em uma palestra espírita, e neste Dia de Finados (para a Igreja Católica) quero fazer uma ligação com o significado de morte para o espírita.

No Evangelho de São Lucas, Cap. IX, vv. 59 e 60, temos a seguinte passagem: 

“Disse a outro: Segue-me; e o outro respondeu: Senhor, consente que, primeiro, eu vá enterrar meu pai.  – Jesus lhe retrucou: Deixa aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos; quanto a ti, vai anunciar o reino de Deus.”

No Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap XXIII – Estranha Moral, Kardec, sob orientação do plano espiritual, explica que Jesus não censurou o fato de um filho querer enterrar seu pai. O que ele quis dizer era mais profundo e tinha a ver com a “verdadeira vida” que é a vida espiritual.

“O corpo não passa de simples vestimenta grosseira que temporariamente cobre o Espírito...
....
Jesus lho ensina, dizendo: Não te preocupes com o corpo, pensa antes no Espírito; vai ensinar o reino de Deus; vai dizer aos homens que a pátria deles não é a Terra, mas o céu, porquanto somente lá transcorre a verdadeira vida.”

Nós espíritas respeitamos a crença e os cultos das demais religiões, como o Dia de Finados. Contudo, para nós não é o culto da lembrança do corpo o que importa, e sim o Espírito que habitou aquele corpo. O Espírito é imortal, enquanto o corpo é apenas um  invólucro que serve de morada temporária, para que esse Espírito possa continuar sua jornada evolutiva. Uma vez chegada a sua hora de partir deste plano, o Espírito desnuda-se desse corpo, e continua sua vida no plano espiritual. O corpo, como tudo o que adquirimos de material neste plano terrestre, fica aqui. Por isso "deixai aos mortos que enterrem seus mortos".

Jesus Cristo, o Espírito mais puro que passou pela Terra, quando morreu também desligou-se do seu corpo material, continuando a ser, no plano espiritual, o mesmo Espírito perfeito. 

O que de mais importante Ele nos deixou, foi o que nos ensinou em vida aqui na Terra:  a caridade, a benevolência, a indulgência, a paciência, o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Se temos que tirar proveito das lições do Cristo, tiremos do que a sua vida nos ensinou e não a sua morte, que foi apenas e tão apenas do corpo, destino também certeiro de todos nós.

Quando Jesus diz  “vai anunciar o reino de Deus”, ele prega que anunciemos e cumpramos as suas máximas, ainda neste plano, uma vez que a plenitude da vida espiritual só é alcançada na medida que nós nos depuramos, nos reformamos intimamente, espíritos imperfeitos que somos.

Então, neste Dia de Finados, lembremo-nos, como nos demais dias do ano, de nossos entes queridos, Espíritos como nós, que se foram e que se encontram no mundo espiritual ou que já estão de volta, em outro corpo, em outra reencarnação.  

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A PREFEITURA NOSSA DE CADA DIA

Gelson Negrão, jornalista que faz o "Cidade em Pauta" da Rádio CBN Londrina, foi muito feliz no seu comentário de hoje sobre o acidente em que se envolveu o prefeito Barbosa Neto, de Londrina, na noite de ontem.

Novamente o que se destaca é a forma como é administrada a prefeitura, pelo prefeito e seu secretariado, pagos por nós contribuintes. Este é só mais um exemplo, dentre tantas patacoadas que a gente fica sabendo todos os dias.

O meu post de hoje resume-se ao comentário: O Acidente - por Gelson Negrão.*

(*) Para ouvir, basta um clique sobre o link em vermelho.

Lago Igapó

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

DELICADEZA

A delicadeza dos hibiscos brancos - Rua Prof. João Cândido - Londrina - PR

Ao contrário da maioria das pessoas, adoro dentista.  Acredito que boa parte não goste por causa do motorzinho.  Também pudera,  com toda a tecnologia hoje existente, chega a ser engraçado ainda o motorzinho não ter sido substituído por algo menos rudimentar.

Fiquei pensando o porquê do meu prazer  em ir ao dentista, apesar do motorzinho. Cheguei à conclusão de que primeiro porque gosto de ter os dentes saudáveis. E segundo, porque minhas lembranças de dentista são muito boas. 

Desde pequena tive a sorte de ser bem tratada nos consultórios. Não que os consultórios fossem os melhores, mas a forma, a atenção com que fui tratada, na maioria absoluta das vezes, me tiraram o medo. 

Quando era criança tive um dentista do qual eu saía do seu consultório com bichinhos moldados em gesso, para pintar em casa. Não foram tempos fáceis, porque tive problemas em um dos dentes  e sabia que tinha que esperar até completar 11 anos para resolver de vez.  E quando cheguei aos 11, minha mãe peregrinou de dentista em dentista para ouvir o que poderia fazer de melhor no meu caso, e optou por uma técnica recente, que apenas um dentista indicou e foi descartada pelos demais.  Acredito que pela maneira segura e delicada com que  o dentista explicou a nova técnica, fez com que minha mãe  apostasse nele. E deu muito certo!

Neste momento estou no término de um tratamento dentário, e mal o dentista sabe que já estou com saudades dele. Pelo profissionalismo, mas sobretudo pela delicadeza com que trata seus clientes, onde me incluo.

Quando comecei a aprender a dirigir, em uma autoescola de Curitiba, a instrutora era mal humorada,  grosseira e dava muitas broncas. No começo eu dizia que não me importava se ela estava de mal com a vida, porque eu queria era tão somente aprender a dirigir. Mas eu estava errada nessa minha afirmação.

Nessa mesma época, uma colega de trabalho estava tendo aula com outro instrutor independente, um gaúcho bem humorado, e quando eu e ela trocávamos experiências sobre nossas aulas, comecei a ver que eu não estava evoluindo com a minha instrutora. 

Então, desisti das aulas da mal humorada e contratei as aulas do instrutor. Ele também me dava broncas, mas a maneira como as dava, é que fazia toda a diferença. Com um sorriso no rosto ele dizia: “Que feio, eu sei que você pode fazer muito melhor do que isso! Vamos lá!” E eu ia, e dava certo. E ele me dizia: “Eu não lhe disse?” 

Resumo da ópera: aprendi a dirigir e no centro de Curitiba, na muvuca, onde muita gente que já dirigia não tinha coragem de ir.

Onde eu quero  chegar com esses exemplos:  na importância de tratar bem, de ser delicado, de ser gentil, em qualquer situação. Numa loja, no consultório médico, no dentista, no trânsito, no trabalho, nos nossos relacionamentos. Gentileza gera gentileza. Delicadeza gera afeição e bem-conviver.

Há claro, pessoas que são delicadas por interesse, somente na  aparência. Por exemplo: tratam bem as pessoas do seu convívio comercial, mas dentro de casa são tiranos. Daí não vale. 

Delicados são os que são benevolentes para com o próximo, independente qual próximo seja. Que  têm sempre a mesma conduta no tratar o outro. O outro que está na família, que está no trabalho, na escola, na comunidade em que vive, seja ela real ou virtual. 

Já não é muito tranquila a relação com o outro, pelas intempéries e pelas paixões que norteiam as nossas vidas. Sem delicadeza, então!

domingo, 30 de outubro de 2011

ESPELHO, ESPELHO MEU

Fonte: imagem pública do picasaweb.google.com/dij.ceeak/

Acredito que lidamos muito mal com nossos defeitos.

Desejamos que nossas qualidades sejam reveladas no trabalho, na escola, no amor, nas amizades, mas não suportamos o apontamento dos nossos defeitos.

Até confundimos defeito com qualidade, tal a dificuldade em significá-los. Quer ver um exemplo? Quando um entrevistador em uma empresa nos pergunta “Na sua opinião, qual o seu maior defeito?”. A resposta, na maioria das vezes, é “Sou perfeccionista.” Como o ser perfeccionista fosse um defeito e não tivesse qualidade alguma. Será que responderíamos, por exemplo: não gosto de ser criticado, não gosto de ser contrariado ou não gosto de ter chefe?

Escondemos nossos defeitos, como se eles fossem nos segregar na sociedade, nos afastar do outro. Pode até ser em algumas situações. Porém, note que quando abrimos nosso coração contando nossas mazelas, nossas dificuldades e nossas imperfeições, na maioria das vezes ocorre justamente o contrário: aproximamo-nos do outro. E mais importante ainda: aproximamo-nos de nós mesmos, nos aceitamos mais. 

A gente demora uma vida pra confessar nossas fraquezas.  À medida que os anos passam isso vai ficando claro! Que bom se pensássemos sobre isso quando estamos formando família, quando os filhos estão chegando, quando estão crescendo. Passaríamos a eles a idéia de que somos falíveis, e quem sabe poderíamos até rir dos nossos próprios defeitos e aceitarmos melhor os dos outros.

Uma das grandes “sacadas” da psicanálise é a busca do descobrimento de si próprio, o que inclui lidar com os nossos defeitos, com a nossa incompletude na vida, falar dos nossos “furos”, para tentar melhorar a vida com o outro, e sobretudo nos aceitarmos. 

Mesmo Jesus Cristo já dizia: “Conhece-te a ti mesmo”. Seguramente Ele nos convidava a enfrentarmos nossas imperfeições, para conseguirmos ser  indulgentes para com o próximo e para nos reformarmos, nos reinventarmos, na nossa própria evolução.

Ando pensando sobre esse assunto, porque me encontro enamorada de vários afazeres materiais, sentimentais e espirituais e tenho tentado cuidar para que, o que de defeito aparecer, eu possa ser crítica o suficiente para saber separar o que não atrapalhará em nada (e até acrescentará), o que não me levará a lugar algum, e o que eu possa ter a ternura de apenas vê-lo como risível.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

AOS MEUS CARÍSSIMOS AMIGOS

Galho de Cerejeira - Apucarana-PR

Ontem postei sobre a amizade, e hoje praticamente encerro a semana com o reencontro de uma grande amiga de Apucarana.

Hoje à tarde ela me ligou, dizendo que vinha para cá e me convidava para nos encontrarmos no shopping Catuaí para colocarmos nossos assuntos em dia.

Voltei agora há pouco e com o coração muito feliz!

Chego em casa e tem um e-mail de outra amiga, "reclamando" que esta semana não fui ao seu restaurante, que estava com saudades. Segunda-feira nos veremos, prometo!

A todos os meus amigos, dedico o poema abaixo, de Machado de Assis, e agradeço a Deus por tê-los colocado em meu caminho, e por meio deles eu poder me reconhecer.

"
 BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
   "

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

QUEM TEM AMIGOS NÃO ESTÁ SÓ

Colégio de Cambira - hoje Prefeitura

Segundo o Aurélio, amigo é :

"s.m. Pessoa a quem se está ligado por uma afeição recíproca."

Quando eu era criança e estava no ginasial (acho que agora corresponde ao fundamental), usava uniforme. Blusa branca, saia azul marinho pregueada, meias ¾ brancas e sapato preto. 

Morava em uma pequena cidade de clima quente, Cambira, ao lado de Apucarana, e quando esfriava, eu colocava uma blusa de manga comprida, de finas listras coloridas, que jamais vou esquecer, porque hoje ainda acho que dava um efeito muito bonito ao conjunto.  Não precisava muito mais do que isso no inverno. Aí a escola adotou a calça comprida também. Minha mãe, que costurava, fez a calça e guardou o resto do tecido para fazer outra saia, de backup. 

No primeiro dia que usei a calça, resolvi, na saída do colégio, não sair pelo lado habitual, como os demais alunos. Resolvi descer um morrinho de terra; o colégio ficava em um nível mais alto que a rua. 

E desci, só que levei o maior tombo, o que me custaram: um mico enorme perante um paquera que eu tinha no colégio (ele viu o meu tombo), um furo na calça, na altura do joelho, e ainda ter que me haver em como contar para a minha mãe. Lembro-me que eu tinha uma amiga chamada Dayse, que oxigenava os cabelos, e ela me acompanhou na difícil tarefa de ter que encarar a minha mãe. 

Bom... não lembro muito bem da cena da bronca. Acho que não foi tão grande, porque depois o tecido que seria da saia de backup virou uma perna de calça. Mas o mais importante: eu tinha do meu lado uma amiga que me ajudou a enfrentar a situação.

Um ano mais tarde nos mudamos para outra cidade, por força da profissão do meu pai. A maior perda que eu tive foi o afastamento dos meus amigos. Quando chegamos na outra cidade, eu e minha irmã, chorávamos de saudades das amizades. Mas fazer o que? Não tínhamos idade para fazermos escolhas por nós mesmas. 

Anos antes de morarmos em Cambira, moramos em outra  cidade menor ainda, que nem adianta falar o nome porque ninguém conhece (hehe). Em uma festa junina do colégio, eu fui escolhida para ser a noiva. E a minha melhor amiga, Cleonice, era a madrinha. O noivo era um menino que na hora chorou de vergonha,  e foi substituído por outro, que assumiu o “compromisso” numa boa. O noivo havia me abandonado (hehe), mas a minha amiga não. Meu pai tirou um monte de fotos, todas em preto e branco, onde estávamos nós duas, na frente de casa, no altar, na rua, na roda de dança, enfim, em quase todas as fotos. “Séculos” mais tarde, voltei a essa cidade, e tive oportunidade de encontrar o pai da minha amiga, que se lembrou de mim, e achou até que “não mudei nada”. Amigos são generosos.  Não consegui encontrá-la, mas fiquei sabendo que ela ainda mora na cidade e trabalha no mesmo colégio. Acho que um dia ainda nos veremos novamente.

Ontem, depois de um longo e tenebroso inverno, voltei para a aula de dança. O que foi o mais bacana da minha volta: reencontrar  com duas amigas. Não que estávamos longe umas das outras, pois dias atrás fui no níver de uma delas. Mas é que como as turmas têm rotatividade, eu teria que me enturmar novamente, e foi muito bom não estar sozinha. Quando cheguei na sala foi recíproca a felicidade de encontrá-las e nos dissemos isso.

Já assumimos compromisso para hoje: vamos ao bailinho do Canadá Country Club, para jantar e para dançar. E para continuar o papo de ontem, que não deu tempo de terminar. E aí vêm outros papos, e outros, e outros, ...

Quando morei em Curitiba, pelo fato da cidade ser grande e ser famosa mesmo pelo distanciamento das pessoas, fiz bem poucos amigos. 

Quando retornei ao norte do Paraná, há alguns anos atrás, fiz um círculo de amizades e até encontrei amigos antigos. Tenho um monte de histórias para contar, mas que serão para outras postagens.

E, hoje é muito claro pra mim que qualidade de vida inclui ter amigos. Aliás, é um pré-requisito enorme, que não pode ser comprado ou adquirido com qualquer metal. A amizade é um bem conquistado pelo coração.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

HERANÇA MALDITA



Mais um ministro deste governo cairá. Em uma questão de horas, o Ministro dos Esportes Orlando Silva pedirá demissão.

A saída dele não basta para acabar com o caso, porque envolve uma quadrilha. Não tem outro nome para dar aos envolvidos: quadrilha. E quadrilha tem que ser desmantelada. Por que só desmanchar quadrilha de bandido comum? Tem que estender pra bandido de colarinho branco também. Afinal, todo o dinheiro que circula nos ministérios, pra pagar toda essa gente, é dinheiro do contribuinte. É dinheiro meu, é dinheiro seu!

Quando o Lula assumiu, há mais de 8 anos atrás, tudo o que dava errado no seu governo era atribuído a uma “herança maldita”. Um aparte apenas: ele nunca admitiu que também tinha uma “herança bendita” -  o plano real e a economia estabelecida. A equipe econômica do FHC deixou um barco arrumado para ele velejar. Houve tempestades, como a de 2008, mas foi um dilúvio internacional, e o Brasil, como está no mundo, não poderia deixar de sofrer também.

Quero ver a Dilma falar que herdou uma herança maldita do governo anterior!  

Sim, porque todos os que caíram e a maior parte dos que ainda estão no governo têm a benção do Lula, são herança do Lula. Mas vou esperar sentada, porque ela não dirá, e por um motivo muito simples: ela fazia parte dessa herança maldita. Impossível ela não saber que a companheirada era dada a viver de propina, de corrupção, do toma-lá-dá-cá! Que só poderia dar em escândalo mesmo, se alguém descobrisse. E graças a Deus existem a Veja e O Estado de São Paulo. Os únicos veículos de comunicação que escancaram a corrupção bem instalada neste país. O restante da mídia acaba pegando carona nas bombas reveladas,  porque perderiam audiência se não relatassem nada. E o governo ainda, vira e mexe, inventa de querer arrumar um jeito de trazer a censura de volta e regular a imprensa. Imagina se isso vier a acontecer!

Só que enquanto o governo está paralisado, lidando com a roupa suja que insiste em tentar lavar e ver se ainda dá para usar, a inflação já está morando com a gente, dentro de casa. 

O Enem, então, de novo envolvido em escândalos de vazamento de questões, seja pelo celular, seja pelas redes sociais,  pela incompetência do Ministério da Educação na realização das provas. E um monte de dinheiro indo pelo ralo. E dinheiro nosso!  É outra herança maldita do governo anterior.

Fico pensando como esse governo ainda tem um índice de aprovação enorme: mais de 50%. Devemos merecer não é mesmo? 

Bom, eu posso falar por mim: eu não mereço!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

REFORMA ÍNTIMA


Tangerinas da chácara da minha amiga Celina

Acredito que aprendi muitas lições nos meus bons anos de viver nesta encarnação. E acho que de outras encarnações que estão gravadas no meu espírito. Algumas delas, confesso, aprendi mas ainda não consegui colocar em prática. Tenho tentado, porém.

Aprendi que quando estamos no meio de um turbilhão, não conseguimos enxergar que, sem dúvida alguma, o problema vai acabar. Dando certo ou dando errado, vai ter um final. Só que até lá a gente se desespera, briga com meio mundo, reclama que Deus se esqueceu da gente e perde a cabeça.

Quando estamos doentes damos a devida importância a quando estávamos bem, com saúde. E devíamos ter valorizado e feito de tudo para manter o corpo são, para não ter chegado  ao estado de doente.

Nós fazemos preces para pedir. Bem pouca para agradecer. Só agradecemos quando o que pedimos deu certo. Raras vezes agradecemos por ter dado errado. E deveríamos agradecer, uma vez que Deus não descuida da gente. E, se pedimos com fé e não fomos atendidos, é porque estava nos nossos desígnios passar por aquilo. E nós sequer agradecemos a Deus por ter cuidado disso também.

Só rogamos a Deus preces para nós, e poucas para os outros. Pior ainda se for para um desafeto. Aí que não pedimos nada mesmo. E o certo seria pedirmos a Deus por ele, sim. Para que o nosso desafeto tenha olhos mais piedosos para conosco. Com certeza sairíamos igualmente ganhando.

Nosso anjo da guarda é o carinha mais esquecido do mundo. E ele deveria ser “O Cara”. Só lembramos dele quando estamos em apuros. Por isso, quando reclamamos que o nosso anjo da guarda tem nos abandonado, é por culpa nossa mesmo. Não que ele nos abandone, mas esquecemos que o nosso anjo respeita nosso livre-arbítrio. Se lembramos dele só nas horas ruins, por que ele quererá ficar conosco full-time?

Pouco lembramos de falar ao outro o quanto gostamos dele, o quanto o amamos ou o quanto o estimamos. Acabamos falando em despedidas, e geralmente na hora da morte. E aí muitas vezes nem falamos a ele, e sim aos próximos dele.

Não somos fiéis conosco mesmo. Boicotamos nossas dietas alimentares, por exemplo. É evidente que hoje estamos mais “cheinhos” do que antigamente e precisamos urgentemente readequar nossos hábitos alimentares e fazer exercício físico. Cuidar do corpo que dá morada ao nosso espírito. Nunca dá tempo! Temos tempo para internet, mas não temos tempo para caminhar.

Não somos leais aos nossos amigos. Amigo fica do seu lado, mesmo  quando só você está certo e a torcida do Flamengo está errada. Mas para agradar a torcida do Flamengo e ficar bem com a maioria, você acaba traindo o seu amigo. Ou se omitindo, o que dá no mesmo.

Não sabemos perdoar. Dizemos “me desculpe” ou “lhe perdôo” com a maior facilidade, mas no fundo, guardamos rancores. Quando enxergamos de longe quem nos “machucou”, desviamos do caminho dele. Se fosse um perdão verdadeiro, passaríamos pela pessoa e a veríamos como um espírito em evolução, com seus defeitos e qualidades. Mas em evolução. E que talvez a encontraremos mais tarde, em alguma outra vida, muito melhor que nós mesmos.

Queremos regrar a vida do próximo, mas não cumprimos regras básicas de convivência, seja na cidade, no bairro, no condomínio ou dentro de casa. “Só por hoje não vou cumprir o que está prescrito.”  E o “só por hoje” acontece várias vezes.

Hoje, um vizinho falece e sequer o síndico comunica o ocorrido aos demais moradores do condomínio. Quantas preces poderiam ter ajudado no retorno desse espírito no mundo espiritual! Quantos moradores gostariam de ter visto pela última vez o seu vizinho! Fico pensando se aceitamos o ocorrido com banalidade, imagine com o resto dos assuntos do condomínio!

Não adianta querer resolver um problema com a cabeça quente. Não adianta tentar discutir a relação quando as mágoas com o outro estão transbordando. As coisas têm que ser ditas e resolvidas no momento em que acontecem. Guardar, guardar, guardar, e não arrumar, é como um guarda-roupa. Uma hora você abre a porta e as roupas caem todas em cima de você, amarrotadas, bagunçadas, e até mofadas. Relacionamentos também são assim.

Não tenha certeza que o outro pensa da maneira que você acha que ele pensa. É comum ficarmos imaginando que fulano ainda gosta da gente, mesmo com todas as atitudes dele mostrando que não. Assim como é comum ficarmos imaginando que fulano não gosta da gente,  só porque não demonstra exatamente como a gente acha que deva demonstrar. Saber como o outro pensa, lá no seu íntimo, é trabalho para psicólogo, e depois de longo tempo de terapia. E olha lá: se o sujeito não se abre.....

Se desabafar com alguém que está a quilômetros de distância de você já é difícil, por não poder olhar nos olhos, também não é garantia nenhuma ter alguém ao seu lado que vá lhe ouvir. Hoje em dia, quem cruzar o seu caminho e se dispuser a  lhe ouvir já é uma dádiva de Deus.  Quase ninguém tem tempo pra nada. Ooops... tem sim: tempo para Facebook, Orkut, e Twitter. Não sou contra as redes sociais, pois elas propiciam encontros (e até desencontros). Mas, é mais fácil postar no Face do que sentar ao lado da pessoa, ou pegar um telefone, e se entregar em ouvir, em falar. Acredito que nada substitui a entoação de uma voz, ou um olhar, pois ambos transmitem sentimento.

Quantas vezes maldizemos nossos pais, reclamamos de um ou de outro, só porque pensam diferente de nós. Não temos que pensar como eles, mas temos que respeitar que não conseguiremos mudá-los. Ademais, são espíritos com suas evoluções individuais, que nesta esfera cederam seus corpos e lares para que pudéssemos continuar a nossa evolução. 

É difícil ser cristão! Jesus Cristo já nos mostrou isso quando disse “não vim para trazer a paz, mas a espada” (Mateus, Cap. X, v. 34-36 e Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXIII, Estranha Moral). Foi para mostrar que quando queremos seguir o caminho que Ele nos ensinou, vamos nos deparar com fatos, acontecimentos, que vão nos colocar frente a frente com as pessoas que pensam diferente de nós. Que vamos ter que degladiar conosco mesmos, com nossas atitudes equivocadas, com nossas mazelas. E tudo isso requer luta constante, vigília diária. Não é fácil, porém temos o caminho. Tudo que Ele pregou dá trabalho, mas tem um retorno maravilhoso. Acho que vamos precisar de muitas encarnações para fazer uma reforma íntima completa, para nos depurarmos. Se pudermos começar agora, nem que seja no restante do que supomos que vamos viver, já vai valer a pena.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

MEU AMADO POETA CONTEMPORÂNEO

Fabrício Carpinejar, no evento "Autores e Idéias", Sesc Londrina, agosto/2010

Amo  o escritor e poeta Fabrício Carpinejar.

Identifico-me com o que ele escreve, com o que ele fala.

Identifico-me com o sentimento que ele tem das coisas do dia-a-dia, principalmente dos detalhes delas. 

E tive oportunidade de dizer isso a ele, e com essas mesmas palavras. Ganhei um abraço muito cheiroso e muito gostoso, porque o Fabrício é isso mesmo. Naquele momento, se ele tivesse me convidado para eu ir embora com ele, eu diria “- Sim!” e nem olharia pra trás (hehe).  Foi num encontro do Sesc, da série Autores & Idéias, em agosto de 2010, onde aproveitei para pedir  um autógrafo no seu livro de crônicas - Canalha! , que havia lido meses antes. Ele como sempre, irreverente, com seus óculos vermelhos.

O Fabrício é o feio mais lindo que eu conheço. Concordo com quase tudo o que ele pensa, o que ele fala, e adoro o “como” ele fala: direto, sem culpa de parecer louco (porque por vezes, parece que é mesmo). Os loucos têm sempre algo a dizer, porque não têm medo de dizer.

O Fabrício Carpinejar fala muito de relacionamentos. Ele os vive por inteiro, até chega a ser visceral quando fala deles. Seja nos amorosos - adoro como ele trata do amor, seja nos relacionamentos familiares - é claro e crítico quando fala da própria família. Ele não tem medo de se expor, e na sua exposição, o faz pela gente, na medida que a gente concorda com o que ele fala. Ele nos obriga a pensar na vida, nos nossos sentimentos. Ler um livro do Carpinejar, é reler várias vezes os parágrafos. As crônicas são poesias completas.

"Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar.
........
Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. Não diga “eu sei, eu sei”, quando nem ouviu direito.
Almoce sozinha para sentir saudades do que não foi servido em sua vida.
Ligue sem motivo para o amigo, leia o livro sem procurar coerência, ame sem pedir contrato, esqueça de ser o que os outros esperam para ser os outros em você.
...........
Alterne a respiração com um beijo.
.............
Solte palavrão para valorizar depois cada palavra de afeto.
...........
Cometa bogagens. Ninguém lembra do que foi normal.
Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade.”
(Trecho da crônica Imprevisível, do livro O Amor Esquece de Começar)

__________________________________________________________________________


Tempo é ternura.
Perder tempo é a maior demonstração de afeto. A maior gentileza. Sair daquele aproveitamento máximo de tarefas. Ler um livro para o filho pequeno dormir. Arrumar as gavetas da escrivaninha de sua mulher quando poderia estar fazendo suas coisas. Consertar os aparelhos da cozinha, trocar as pilhas do controle remoto. Preparar um assado de 40 minutos. Usar pratos desnecessários, não economizar esforço, não simplificar, não poupar trabalho, desperdiçar simpatia.
(Trecho do post Tempo é Ternura, de 21.06.11 do blog do Carpinejar)


Leio direto o blog do Fabrício, http://carpinejar.blogspot.com/.

Além dos posts (quase diários), ele publica os vídeos dos lugares onde ele foi entrevistado, ou onde autografou seus livros, ou de um evento onde participou. E esses vídeos são maravilhosos, porque ele fala de assuntos profundos com um senso de humor incrível. Ele põe humor na alegria e na tristeza. Os poetas são assim, não é mesmo?

O Jô Soares já o entrevistou várias vezes, e não se cansa de dizer o quanto gosta do que ele escreve e de entrevistá-lo. É que são sempre muito engraçadas e profundas as entrevistas.

Ontem à noite fui dormir tarde, por conta da saudade que estava do Fabrício. De vê-lo! Assisti na internet duas participações suas – uma no programa Sem Censura, da Leda Nagle, e outro no programa Sempre um Papo (este foi a segunda vez que assisti).

No Sem Censura, de maio de 2011, o Fabrício deixou a Leda Nagle, por vezes, pensativa a ponto de apontar a qualidade do Carpinejar em observar os detalhes do cotidiano, tal a maneira direta com que ele expôs suas idéias. Não podia ser diferente! Principalmente quando ele disse do nosso “complexo de Poliana”. Da “falsa alegria”. A alegria comparada ao outro.

“A gente tem que encontrar a delicadeza e a satisfação das pequenas coisas. Mesmo que seja uma alegria modesta, mas que seja nossa, que tenha partido da gente, não em comparação ao outro.”

Coloco o vídeo da primeira parte da participação do Fabrício, onde está a fala acima. A segunda parte, é só entrar no seu blog, não só pelo vídeo, mas também por todo o conteúdo do blog.