segunda-feira, 22 de abril de 2013

ENGANOS

www.jardinaria.com.br

Engana-se quem pensa que uma viagem ajuda a esquecer o amor perdido, o amor não ganhado, o amor que não deu certo, enfim. Pode notar que só funciona nas novelas: uma viagem arrumada de última hora, pra Paris, pra qualquer lugar glamouroso, por causa do fim de um relacionamento. E nós, mortais, ainda pensamos que aceitando  fazer um passeio, mesmo que num final de semana, vamos conseguir ficar longe dos problemas amorosos, como se o sentimento pudesse ser deixado em casa!

É... a gente pode ir pra cidade vizinha ou pro Paquistão, que vai dar na mesma: nossa cabeça vai junto, com todos os pensamentos que não damos conta. (hehe). Ouso dizer que parece que a falta do outro até aumenta! Ou, então, até conseguimos olhar o passado recente com menos apaixonamento, mas acabamos ou enxergando melhor a dura realidade (que já era dura), ou nos enchendo de esperanças, pois de longe parece que o bicho é mais esmirrado; ou ainda, ficamos pensando como seria bom se voltássemos logo pra casa, pois lá tem vestígios do que foi (mesmo ruim), mas é o lugar aonde a gente se encontra com a gente mesmo.

Bem... em todo caso, toda vez que contamos pra um amigo de outra cidade, que estamos curtindo uma “dor de cotovelo” ou que “estamos na fossa” (puxa, que expressão antiga, meu Deus), a primeira coisa que escutamos é: “Vem pra cá! Aqui você se distrai!” É ou não é assim? E lá vamos nós, com uma baita esperança de nos deixarmos pra trás! E, depois, quando voltamos pra casa, parece que nem é a casa da gente mais.  Sabe... penso que é melhor enjoar, de uma vez por todas, de sentir a falta do ser amado, do que tentar driblar essa falta. Acho que essa coisa de drible só funciona no futebol. (hehe)

É claro que devemos agradecer sempre, e muito, e tanto, por termos amigos salva-vidas! Com eles, conseguimos ter momentos de engano, quando os ouvimos dizer que  “ele ainda vai voltar!”, “ele ainda vai repensar!”, “ele ainda vai considerar!”. Mesmo que a realidade não seja tão generosa quanto os amigos a veem (infelizmente)! É que os amigos nos enxergam primeiro, em detrimento de qualquer realidade, e querem sempre o melhor. Não vá me dizer que, amigo que é amigo, nos tira do engano. Amigo que é amigo, tenta nos deixar no engano, sim, pois torce pra que dê certo, do jeito que a gente quer que dê certo. Mesmo que o que parece ser bom pra gente não seja tão bom assim, e no fundo, no fundo, ele saiba disso. (hehe)

Bem... uma coisa é certa: pra esquecer um amor, só outro. E até ele chegar, vai ser difícil, mas penso que temos que tentar ser indulgentes conosco mesmos, aceitando que a dor existe, e não tem como escapar dela. Ela é nossa! Sem subterfúgios, sem querer se livrar da gente mesmo, sem querer mudar de casa, de alma, e aceitando que o tempo nos trará outro amor e a cura de tudo. E se não curar e deixar marcas, eu já cansei de falar aqui: é caso pra um Analista! Senão, a gente ainda vai encher malas de mágoas, que vão atrapalhar, ou até boicotar, a nossa viagem nesta vida.

sábado, 9 de março de 2013

GUARDE NOS OLHOS

Museu Pe. Carlos Weiss - Londrina-PR

Que experiência ímpar!

Por força do trabalho e por falta de melhores horários de voos pra ir rapidamente a Curitiba, não fui a XV Conferência Estadual Espírita, um evento anual da Federação Espírita do Paraná, e que começou ontem. Até dava pra ir, mas perderia algumas das palestras e eventos, principalmente as palestras do Haroldo Dutra Dias, escritor e orador Espírita que amo muito.

Estou assistindo pela internet, online, pela primeira vez!

Só perdi uma palestra, a primeira de hoje, e tem sido quase como se estivesse lá. Ainda prefiriria estar, presencialmente, absorvendo todas as emanações boas da Espiritualidade, juntamente com as pessoas, que como eu, se identificam com o Espiritismo. O contato pessoal nunca será substituído pelo virtual, pelo menos pra mim.

Todos os momentos foram intensamente maravilhosos, nestes dois primeiros dias:

O Coral Espírita Nosso Lar, daqui da minha amada cidade (Londrina), apresentando-se juntamente com outro Coral de Curitiba.

A abertura com  Divaldo Pereira Franco, sempre tão iluminado, falando sobre o amor (um dos temas que mais gosto), e tendo como base o livro “O Profeta” de Gibran Khalil Gibran. "Quando nos amamos, nos desarmamos. Quando nos armamos, nos desamamos."

A leitura de textos do Momento Espírita, que pra mim é o que existe de melhor em termos de mensagens de vida, sendo lida pelo dono  da  voz que faz o programa e grava os CDs e DVDs.

A primeira palestra de Haroldo Dutra, começando com uma poesia de Drummond, seu conterrâneo, e terminando dizendo que “a regeneração do mundo é, no fundo, primordialmente, a regeneração de nós mesmos”.

Suely Caldas Schubert dizendo que “nós temos que pensar que já temos um capital do passado e não mais somente fardos”, que caminhamos muito, cada qual com os fardos que escolheu carregar, mas agora com muitos créditos amealhados.

Divaldo, na sua segunda palestra, falando-nos de gratidão, com palavras ternas e cheias de poesia, como só ele sabe fazer, dizendo-nos que “o indivíduo que ama, automaticamente enflorece-se com o sentimento da gratidão”.

Alberto Almeida, sabedor do ser psicológico que somos, veio nos falar da autoestima, das máscaras sociais que assumimos, ora com nossos ares de superioridade, ora com nossa autodepreciação ao nos colocarmos como “um zero”. E dizendo, muito bem, como que a autoestima mexe com nossas relações amorosas e afetivas, de como temos dificuldades em reconhecermos que temos pontos frágeis, mas que temos pontos fortes, e que todo mundo é assim; somos todos seres em transformação e necessitamos do encontro conosco mesmo e com o outro. E em aceitando isso, podemos começar a amar o próximo, e a nós mesmos, com todo o coração, e de verdade, sem máscaras.

E pra completar, antes de começar as palestras da noite, o Coral cantou uma música do Ivan Lins e do Vitor Martins, que está em um dos vídeos da aba “MPB” deste blog, e que se intitula “Guarde nos Olhos”. Essa música não está à toa no blog. Pra mim, era um hino de quando eu morava em Curitiba e tinha saudades do interior.

“Corra os campos pela última vez... Vai um pouco com a gente, rumo à capital. Vai dentro da gente, vamos pra capital.”

Repeti o vídeo aqui nesta postagem. 

Guardei tanto nos olhos, e nos sonhos, que voltei pra Londrina! 





terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O PAPA É HUMANO!

zerohora.licrbs.com.br


Não sou católica, razão pela qual não escrevo movida pela crença.

Ontem ouvi vários comentários sobre a renúncia do papa, e se fosse fazer uma estatística, a maioria das pessoas se disse surpresa com a atitude do pontífice.

Confesso que eu também fiquei, de um ponto de vista: nunca imaginei que um papa fosse agir como um mortal, que tem vontade de mandar parar o bonde pra descer, e não ficar só na vontade.

Bento XVI foi vencido pelo homem Joseph Alois Ratzinger. Que bacana!

Falta muito para a igreja católica trazer o seu papa, os seus cardeais, bispos, e até mesmo os padres, para o plano terreno, onde nós, fiéis seguidores ou não, cumprimos nossa jornada evolutiva. Tudo bem que depois da morte, cada religião acredita numa destinação diferente para a alma, mas uma coisa é certa, neste momento, o que importa é que a alma está aqui, bem pregada no chão. E o rebanho de Pedro também quer olhar para o lado e ver que o guardador é tão humano, tão falível, tão cheio de desejos, de culpas, de alegrias, de tristezas, de dúvidas, de certezas, de dores, tão cheio de tudo que é humano e transitório.

Bento XVI assumiu a sua falibilidade; assumiu sua incapacidade; foi sincero consigo mesmo. Outra coisa muito bacana: ser sincero consigo e abrir mão do que os outros vão pensar. Em nome de ser o que se é, e o que se pode ser.

Não importam as reais razões que levaram o pontífice a pedir as contas: o que valeu foi a coragem de enfrentar o mundo, sem perguntar “Posso?”. Nem precisava: pode sim!

Paulo Leminski, nosso amado e saudoso poeta paranaense, já havia poetado que “isso de a gente querer ser exatamente o que a gente é, ainda vai nos levar além.” E nos leva mesmo!

E ainda, como diria Martha Medeiros, se a gente quer mesmo, a gente “abre a cancela de qualquer fronteira, seja ela geográfica ou emocional”.

O papa, do alto do seu trono, poderia ter dirigido o povo católico (e o mundo, já que a igreja católica pauta muita decisão ainda), mesmo doente, mesmo sofrendo, em nome de manter um papel, manter uma tradição. Mas optou, por, sozinho com Deus, escolher e dizer: não dá mais!

Quem dera Renan Calheiros dissesse o mesmo. O Sarney também, o Hugo Chaves e os irmãos Fidel idem. Mas, para pedir demissão, de qualquer coisa, é preciso coragem. Não coragem, como oposição só à falta de medo. É preciso coragem para se mostrar, para aguentar as críticas, para mostrar o lado humano, que acerta, que erra, e que se aceita e aceita o que está à volta.

Gostei da atitude do Papa. Acredito que ela vá inspirar muita gente que vive de aparência, que vive para os outros, que tem vontade de dar um basta em tanta coisa, mas não tem coragem de se mostrar, de colocar em prática o seu desejo mais íntimo, de dizer “chega, pra mim já deu!”

Fico imaginando agora a leveza que ele deva estar sentido!

É isso aí... a vida não tem bula. 


sábado, 2 de fevereiro de 2013

UFA! QUE SEMANA!



Estou quase chegando à conclusão que somos um país surpreendentemente caridoso e indulgente.

Ontem, saindo da Leroy Merlin, sinaleiro fechado, sou abordada por um moço, no lado do meu carro. Janelas fechadas, eu o ouvia dizer que é aidético, levantou a camiseta para mostrar que não é malandro e não estava armado, que não era um assalto, e que precisava completar um dinheiro para comprar comida para a filha, que não é soropositiva. Moço, jovem, faltando dentes. Sem entrar no mérito de qual poderia ser a história de vida dele, foi  tocante e chocante. Era muito sincero o pedido do rapaz, beirava o desespero, pelo menos foi o que me pareceu. Peguei algumas moedas, nem sei qual a quantia e dei a ele, desejando-lhe sorte. Sinaleiro abriu e pelo retrovisor o vi abordar outro carro, quando o sinaleiro fechou novamente.

Logo em seguida, no supermercado Angeloni, na panificadora, comprei três bolinhos de chuva para comer ali na hora (apenas para enganar o estômago e não comprar o mercado todo), e o troco era de 66 centavos. Ao que o caixa da seção me perguntou se não queria transformá-lo em “troco solidário”, para um lar de vovózinhas. Mal tinha doado umas moedas a um moço jovem, já me vi diante de uma oferta de outra doação de moedas, agora para velhinhas. Acabei não doando, porque já faço dois trabalhos voluntários, um deles enorme, e que acaba beneficiando também o mesmo lar de vovós.

No carro, volto escutando a CBN (como de eterno hábito), e sou obrigada novamente a ouvir sobre a posse do Renan Calheiros na presidência do Senado, mesmo debaixo de denúncias gravíssimas do procurador-geral da República.

O que tem a ver alhos com bugalhos?  O que tem a ver Renan Calheiros com o que escrevi anteriormente?  

Se o que relatei acima tem a ver com caridade, a história do Renan tem a ver com indulgência, duas virtudes que têm limites e dependem de merecimento.

Fora do Brasil devem nos achar o povo mais indulgente do mundo, quando não os mais complacentes e resignados. Os senadores que elegeram o Renan Calheiros não estão nem aí pra todos nós, que votamos neles. E pior é que continuaremos, indulgentemente, votando neles. É muita indulgência sem merecimento!

Some-se a isso, o horror todo de Santa Maria. Iguais àquela casa de shows há inúmeras outras, chiques ou não, nas mesmas condições ou piores, ou sem condição alguma. Tudo em nome de ganhar dinheiro de uma forma fácil e barata. E do nosso lado, clientes, aceitamos pagar por horas de prazer e divertimento a troco de muito pouco. Não sou contra as casas de shows; a crítica é à nossa falta de crítica ao que nos oferecem!

E pode reparar: agora em tudo quanto é cidade as prefeituras apertaram o cerco com os locais públicos. Acharam até teatros famosos no Rio, com peças de elenco renomado, que estavam funcionando sem condições. E se não tivesse havido Santa Maria? Estaria tudo como dantes!

A indulgência insana é tanta que vamos levando a vida assim. Acontece uma tragédia, a gente se comove, começa a ser seletivo nas escolhas de onde se divertir, mas depois caímos no esquecimento. Ganhamos uma banana dos políticos corruptos e ainda votamos neles nas eleições futuras, pois temos memória curta. Pedem-nos dinheiro para subsidiar o atendimento de idosos, quando esses mesmos idosos, muitos deles têm aposentadoria, cujo valor defasou tanto que já não dá para mais nada (embora tenham pago a vida inteira). Um aidético precisa pedir dinheiro na rua para sustentar a família, porque coitado, as empresas ainda são preconceituosas em contratar gente assim. E se há programas do Governo que fornecem medicação para controlar a doença, falta informação a esse pessoal mais carente ou sobra ignorância (de ignorar) mesmo. Quando não, falta medicação nos postos!

E pra completar, subiu a gasolina. Sabe aquela história de querer ficar bem na fita, mas uma hora a máscara cai? Pois foi assim. Não teve jeito de o governo segurar o aumento. Há um bom tempo, a Petrobrás estava tendo prejuízo por arcar com os custos, e não os repassar, para que o governo pudesse “mostrar” que a economia vai muito bem obrigada. Não teve jeito mais, e quem tem ações da estatal ainda pagou o pato – elas caíram. E nós, vamos ver o resultado no supermercado, porque diferentemente do que o ministro Mantega afirma, vai ter reflexo sim. Praticamente 90% dos produtos do supermercado são transportados por rodovias. Haja bolinho de chuva pra não fazer compra com fome e querer levar o mercado todo!

É... já cansamos de ouvir que o Brasil é o país dos contrastes. Pode ser uma frase batida, mas é isso mesmo! O dia que a Educação (com E maiúsculo) nos fizer conscientes de nossos direitos e deveres, talvez possamos viver mesmo a indulgência e a caridade dentro de todos os seus limites e merecimentos.

Que semana! 

domingo, 20 de janeiro de 2013

O BLOG ESTÁ NO FACE


O blog está no Facebook: facebook.com/paginadoquintaldamaricota.

Estamos com uma página de fãs, ou "fan page", ou "fanpage". Não sei como é o certo escrever, uma vez que na hora de aportuguesar o inglês, ou escrevê-lo num país que não fala a língua, cada qual faz de um jeito. Basta procurar no Google pra constatar. (hehe)

Ficarei com fanpage (com pronúncia em inglês), mas sem aspas, sem itálico, aportuguesado ou abrasileirado, como queiram.

O blog continua sendo o esteio, o ponto de partida. A fanpage será o lado "fun" ou "funny" do blog. Com publicações mais diversas que o blog, até para não deixá-lo mais poluído. (hehe)

Nasceu uma "filha" do blog, e espero que vocês curtam!


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A PIMENTA DA PACIÊNCIA



Meia-noite.

Desligo o notebook, vou pra a cozinha pegar o iogurte da noite e aproveitar para regar as plantas do parapeito da janela da área de serviço. Hoje, apenas pés de pimenta Dedo-de-Moça. Até ontem havia manjericões. Hoje, espaços aguardando os que estão em um vaso, enfeitando a cozinha, criando raízes. Sim, até os manjericões para serem felizes em um lugar, primeiro precisam criar raízes, feito gente! Aprendi isso, depois de cuidar de quatro gerações de uma muda que ganhei de um amigo, no ano passado.

Paciência é uma virtude que a gente aprende, e de diversas formas. Uma delas, é cultivando plantas, seja um jardim, seja uma horta. Já diz isso o livro do Pe. Fábio de Melo – “Tempo de Esperas”. Não sou fã dele, mas adorei o livro. Como é  bom a gente ler de tudo um pouco! (hehe)

Acho que tenho paciência, às vezes até de mais, embora muitas de menos. (hehe) Mas, no afã de ter uma horta, a qualquer custo, aprendi a esperar as plantinhas crescerem em vasos pequenos, embora desejassem viver em quintais (elas e eu). Já testei cebolinha, salsinha, manjericão, amor-perfeito, hortelã, e colhi sucessos e fracassos. As cebolinhas e salsinhas ficaram “inhas”, de tão fininhas e pequenininhas. O amor-perfeito não amou o local, a hortelã não foi pra frente nem sei porquê, algumas flores adoraram, e outras, como eram de jardins, se recusaram a viver.

Mas os manjericões, por exemplo, foram fiéis ao meu desejo de que durassem até estarem prontos a me fornecer mudas e complementarem molhos, pizzas, pastéis, sopas e tudo o que eu achava que eles dariam um toque e um tom,  e realmente deram. Foram eternos enquanto duraram, e ainda deixaram herdeiros.

Com o sucesso dos manjericões, animei-me a comprar no supermercado um saquinho de sementes de pimenta Dedo-de-Moça. Amo pimenta e molho de pimenta. A minha geladeira pode não ter nada, mas tem pelo menos meia dúzia de molhos, comprados e presenteados por amigos. O saquinho valeu-me três pés, em três vasos diferentes.

Que experiência: o pé que mais cresceu tem um vaso todo para ele. Apenas dividiu um mísero espaço com um pé de cebolinha (isso mesmo: um). O segundo, ocupando um vasinho pequeno, cresce na mesma proporção. Já o terceiro, como dividia espaço com o manjericão, cresceu timidamente e também não deixou crescer o manjericão, como ele gostaria. Ou seja, parece que as pimentas são espaçosas e gostam de viver isoladas (hehe).

Mas voltando ao início desta postagem, que eu conto que fui à cozinha para, também, regar as plantas, qual não foi a minha surpresa ao enxergar, no meio dos galhos, uma pimenta madura, vermelhinha! A minha primeira pimenta! Cultivada pacientemente, cuidadosamente, carinhosamente, amorosa e fielmente! E surpresa maior ainda: a mesma pimenta que resistiu, mesmo estando em um galho quebrado.  Quando ela já estava formada, ao abaixar o varal de roupas, ele enroscou na planta e acabei quebrando justo o galho da pimenta. Só que ainda acreditei nela e resolvi esperar, pacientemente. A natureza é surpreendente mesmo: deu um jeito. Mesmo em um galho quebrado, a pimenta continuou crescendo e amadureceu! O galho acabou se fundindo novamente, e permitiu que ela crescesse. Que bom se a gente fosse também assim: numa adversidade, numa quebra de algum sentimento, a gente ainda tentasse colar os pedacinhos, pra dar chance de amadurecermos, de crescermos. Sempre há uma chance se a gente tem paciência: com a gente e com o outro.

Tirei fotos e fotos da pimenta, de tão feliz que fiquei. Me deu ainda um misto de dúvida do que fazer com ela: deixo, colho, qual prato merece ser presenteado com o seu sabor, como eternizá-la? Mas, como em tudo na vida, a gente tem que curtir o máximo enquanto pode. Não dá para eternizar, a não ser a lembrança, a lição, e a virtude de plantar e esperar, qualquer coisa, desde uma planta até um sentimento.

Há meses vejo o pé crescer, depois florir e brotar a primeira pimenta. Ao longo da espera, nem me dei conta de quantas outras pimentas, verdinhas, estão no pé. E é aí que mora a paciência: de esperar, mesmo não sabendo se vai vingar ou não; mesmo sabendo que embora com rega feita, não há promessa de retorno. Aliás, do que e de quem a gente pode ter garantia de retorno, não é mesmo?

Viver é assim também. Ter paciência de cultivar amizades, empreender um trabalho, esperar um amor, sempre regando e tendo fé que desta vez dará certo. Os meus pés de pimenta me mostraram essa possibilidade no sucesso. Os meus pés de cebolinha me mostraram a possibilidade da paciência mesmo no fracasso. E que com paciência a gente consegue sair de um fracasso e encontrar o sucesso; experimentar um fracasso e não perder a esperança.

sábado, 29 de dezembro de 2012

FELIZ 2013!



Final de ano... panetone e  lista de promessas pra ano novo.

Se tem gente que acha que ano novo é tudo a mesma coisa, eu discordo. Gosto de pegar a lista de desejos do ano corrente, fazer um balanço do que deu certo e do que não deu, e fazer uma nova lista para o ano vindouro, mesmo que contenha alguns itens repetidos do ano anterior. É a oportunidade implícita do novo, de poder fazer diferente, de poder tentar de novo, de ter uma nova chance, dada a nós por nós mesmos. 

Já passei a régua em 2012 e abri o ano contábil de 2013, com um planejamento misto de espiritual com material, sagrado com profano, pra viver mesmo! Acho que o passar dos anos nos endossa querer e poder fazer tanta coisa pela nossa própria conta e risco, diferentemente de quando se é mais jovem e ainda se olha para os lados, buscando aprovação do outro, do mundo, objetiva ou subjetivamente. (hehe)

E pra terminar o ano neste post, coloco um texto que me chegou às mãos por duas vezes. Uma delas foi em 1998, quando o comprei em um cartaz, que intencionava transformar em um pôster. Acabei guardando, só que nem me lembrava disso. É de um cara chamado Geraldo Eustáquio de Souza, da Companhia para Crescer. E a outra vez (que é agora), minha mãe trouxe de Curitiba, com algumas coisas minhas que ainda estavam no seu apartamento.

O texto é uma orientação supimpa para a execução da minha e da sua lista de intenções para 2013!

Vamos lá:

RESULTADOS

Resultados exigem esforço, paciência e constância.
Suspeito de promessas miraculosas e soluções instantâneas.
Duvido de fórmulas simples para a conquista da felicidade.

Fraqueza, fadiga e ferrugem custam a ceder depois que se instalam no corpo, na mente e no espírito.
Somente força, fôlego e flexibilidade podem produzir mudança.

Otimismo só é útil onde existe ação planejada.
Pensamento positivo só funciona à custa de muito trabalho.
Sem objetivos e prazos definidos, esperança é pura ilusão.

Acredito em fatos, não em intenções.
Acredito em atitudes, não em discursos.
Acredito em posturas éticas, não em regras de moral.
Acredito em fazer acontecer, não em esperar que aconteça.
Acredito em criatividade, não em obstáculos.

O que importa são as tentativas e não os acertos.
As vezes que a gente se levanta contam muito mais do que as que a gente cai.
O prazer de continuar buscando é infinitamente maior do que o sucesso a alcançar.

Toda transformação começa sempre caótica e desconfortável.
Os caminhos conhecidos são seguros e fáceis, mas só conduzem aos lugares onde já estamos e não desejamos ficar.

O caminho do novo é cheio de riscos, surpresas e cansaço mas sempre premia os que o escolhem com a chance de descobrirem e experimentarem a Vida que imaginaram viver. 


Que venha o novo! Que venha 2013! Viva!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

MAIS QUE UM MINUTO DE SILÊNCIO

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Dez horas da noite. Termino de passar a segunda demão de tinta no aparador do pequeno hall de entrada do apartamento. Sim, o mesmo aparador que há “centenas” de postagens atrás, eu disse que comprara para fazer uma pátina. Só agora “deu tempo”.  Melhor: só agora ele pôde ser o foco, pois tempo a gente sempre arruma, se quiser. Não fiz a pátina, apenas pintei de branco. Está ficando lindo!

Mês passado passei dias e dias pintando rodapé do apartamento. Ontem e hoje, o aparador. Amanhã ainda tem o verniz. Todo mundo deveria se arvorar em pintar alguma coisa, de preferência superfícies grandes, como paredes. Ou móveis com detalhes, como o meu aparador. Nunca pensei tanto na vida, enquanto pintava! E olha que sou uma pessoa que já pensa muito, seja pela profissão, seja por ter já feito análise mesmo. (hehe)  Os pintores deveriam ser as pessoas mais bem resolvidas do planeta. Ou com as quais a gente poderia sempre procurar desabafar, pois acredito que saibam ouvir muito bem. (hehe)

Quando estava pintando os rodapés (havia uma finalidade pra isso), contei para um amigo que nas horas que eu pegava firme no ofício, ora eu escutava música, ora eu escutava DVD, ora eu ficava um tempão em silêncio, pensando na vida (minha e de outras pessoas), (re)fazendo projetos, lembrando de alegrias e de tristezas, curtindo saudades. E fiquei surpresa com o quanto ele prestou atenção quando eu contei no que pensava nas minhas horas de silêncio. Nunca esperava que ele comentasse que sente necessidade, muitas vezes, de ficar sozinho assim, e que quando pode, curte muito, como eu curti. Ele me falou de um jeito que me pareceu ter até “invejado” e desejado estar no meu lugar. Acho que minha irmã diria que por aí pode  se começar uma análise. (hehe) Hoje, enquanto pintava o aparador, lembrei-me do amigo novamente.

Lembrei-me também de minha avó Malvina, ao sentir o perfume de alguém que pegou o elevador (estou pintando o aparador bem perto da porta de entrada do apartamento). Era um perfume gostoso, mas forte; minha avó  era vaidosa, e a vaidade que tenho vem dela. Nem tanto de perfume forte, mas de gostar de me arrumar. Lembrei-me da Dona Malvina e me deu uma saudade tão grande, que me peguei perguntando onde ela estaria uma hora dessas. Em que plano? Será que estaria me vendo pintar um móvel, resolvendo mais uma coisa por minha conta, ela que era também despachada pra resolver tanta coisa. Ela que sentada na máquina de costura, sozinha, parava algumas vezes, e olhava ao longe, os pensamentos indo mais longe do que o olhar. Pensativa, como eu, agora sentada no chão da sala, com as mãos cheias de tinta, e o pensamento distante... como num balão.

Entre uma pincelada e outra lembrei-me (novamente) da música do Chico Buarque que diz “é desconcertante rever o grande amor”.  Havia contado isso para uma amiga, na academia, hoje pela manhã. Pra mim, nenhum outro compositor traduz tão bem, em canções, os sentimentos de uma mulher, como Chico Buarque. Assim como nenhum outro escritor entende tão bem a alma feminina como o Fabrício Carpinejar. Por que lembrei-me do Chico? Porque foi desconcertante rever, ontem, um não tão “grande amor”, mas um amor importante, como todos os que passaram na minha vida. Foi um misto de uma coisa boa, com uma coisa ruim, adicionado à dúvida de como teria sido, se tivesse sido, se pudesse ter sido. Ajuntei o meu pensamento com uma das crônicas do último livro do Carpinejar, que terminei de ler. O título da crônica, por si só, já diz tanta coisa:“O Quase é Tão Cheio de Tudo”! E na qual ele termina dizendo “Como eu amo quem se importa em amar, apesar de tudo. Apesar de tudo.”

No meio da pintura resolvo entrar no Messenger, pra dizer a uma querida amiga o que eu pensei ser melhor pra ela: um blog ou um site? Fora que me deu uma vontade enorme de conversar novamente com ela, para ver se estava melhor, desde ontem quando conversamos e que  vi que ela precisava falar. E pareceu-me bem melhor! Já tinha se decidido pelo blog e até começado. Voltei para o aparador pensando: como é bom quando a gente se abre com alguém e depois vê a vida recomeçar a andar. Como é bom ter alguém para falar, e como é bom ser o alguém que ouve! Dias desses numa das palestras do Haroldo Dutra Dias (palestrante espírita), ele disse mesmo que nas aflições da vida da gente (que não são poucas), deveríamos olhar para o alto e não para baixo. E eu penso que o “alto” pode ser tanto Deus, quanto um amigo, quanto um psicólogo, quanto alguém que pode nos mostrar onde estamos errando ou não falar nada mesmo, mas que tenha misericórdia, que tenha bondade para ouvir. Quantas vezes é o suficiente!

E pra não esquecer desses momentos de introspecção artística (ou arteira, porque não sou pintora), estou decidida a pintar as paredes do apartamento, a partir de janeiro. Um cômodo por mês, calmamente. Gostei de conversar com as tintas, gostei de ver a limpeza que a gente faz, tanto material quanto espiritual. (hehe) E quem sabe, será a dois! Dividindo o silêncio, sendo cúmplices do silêncio, pra contar um para o outro no que ficamos pensando. Taí um item para a minha lista de ano novo!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

UM COMENTÁRIO IMPECÁVEL

www.capricho.abril.com.br

Hoje, no seu comentário diário na CBN, Arnaldo Jabor foi impecável na sua análise do Brasil na era Lula e pós-Lula (se é que é “pós”).

Nunca na história deste país, alguém resumiu tão bem, em pouco mais de 3 minutos, a indignação que dá com tanta podridão exalando do que a gente fica sabendo das investigações nas Operações da Polícia Federal.  Um exemplo é essa última - a Operação Porto Seguro. Fico imaginando o que a gente não vai ficar sabendo nunca!

O comentário do Arnaldo Jabor, cujo título é "Não temos nível para progredir",  é de "lavar a alma".

Ouça:

domingo, 30 de setembro de 2012

A IMPORTÂNCIA DE UM NOVO OLHAR

Museu Histórico de Jataizinho-PR

A vida é feita de mudanças de paradigmas. Se assim não for, a gente passa pela vida sem realmente viver. Sem crescer, sem aprender, sem apreender, sem raciocinar, nem fazer diferente. E é o diferente que move o mundo.

Tantas vezes fiz receitas que usam leite condensado, tantas vezes testei várias marcas, e na maioria delas, venceu o Leite Moça. Queijadinha, então, só com Leite Moça pra ficar uma gostosura. Sei disso, porque dei o direito, às outras marcas, de me mostrarem que funcionavam igual ou melhor, mas não funcionaram. Eu poderia parar por aí, e sumarizar: só Leite Moça mesmo, de todos os leites condensados. Que nada! Por causa de uma oferta de Leite Mococa (que já usei várias vezes), acabei   substituindo o Leite Moça na receita de sorvete de côco, e para minha grata surpresa, ficou melhor que com o Leite Moça. Puxa! Como fiquei contente em ter ousado mudar, ter ousado correr o risco de não ficar tão bom!

Fiquei pensando que a gente não pode, de modo algum, ser radical.  Imaginar que um pequeno não possa ser tão eficiente quanto um grande. Claro que conta, e muito, a minha experiência de vida, os anos vividos. A passagem do tempo nos dá a liberdade de mudar, de escolher, sem muita influência dos outros. A gente vai vendo que o que importa é o que a gente pensa, o que a gente escolhe, o que a gente prova, o que a gente quer. Até porque, no final das contas, os acertos serão com a nossa consciência e não com a consciência do outro. E a mudança de paradigma entra justamente aí.  Optar por novas experiências. E não é que pode dar certo?

Nesta última semana, nas manhãs de quinta e sexta-feira, fiz dois passeios maravilhosos, a convite do Museu Histórico de Londrina (que frequento e amo de paixão), por ocasião da 6ª Primavera de Museus. Foi o 1º passeio organizado pelo Museu, nesse evento que é nacional.

Há quem diga que museu é coisa pra velho. (hehe) Eu respondo: museu é um lugar atualíssimo. Basta citarmos o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo ou o Museu Oscar Niemeyer em Curitiba. É onde a gente encontra as nossas origens, onde nos situamos no mundo e no tempo, onde tomamos consciência de onde viemos e como estamos evoluindo. Os museus guardam as nossas raízes. E as raízes nos individualizam e nos coletivizam ao mesmo tempo.

E, voltando para os paradigmas, engana-se quem pensa que cidades muito pequenas, como Cambé,  Ibiporã e Jataizinho, não possam abrigar museus muito bonitos e com pessoas muito acolhedoras à sua frente, com cultura e conhecimento da nossa história.

Na quinta-feira fomos ao Museu da Sociedade Rural do Paraná (dentro do Parque de Exposições Ney Braga), em Londrina, e no Museu Histórico de Cambé (dentro de um conjunto cultural portentoso). Na sexta-feira fomos ao Museu de Artes de Londrina (antiga rodoviária), ao Museu do Café em Ibiporã (parte de um conjunto de edificações antigas da estação ferroviária), e ao Museu Histórico de Jataizinho (uma casa antiga, de madeira, linda!).

Particularmente, os museus de Ibiporã e Jataizinho têm muito de minha vida familiar. No de Ibiporã voltei ao tempo em que morava em vila ferroviária, pela profissão de meu pai, quando a ferrovia transportava as safras de café. Isso antes da ferrovia ser vencida pelas empreiteiras e suas estradas de rodagem. Nosso país anda na contramão da história de países desenvolvidos,  em termos de transporte. Bem... isso seria uma outra postagem. (hehe)

No museu de Jataizinho vi minha infância, no meio de tantos painéis e objetos de pioneiros. É que meus avós maternos vieram do estado de São Paulo, como várias outras famílias, atraídas pelas histórias do desbravamento de novas e férteis terras, pela Companhia de Terras Norte do Paraná (dos ingleses), e escolheram Jataizinho para se estabelecerem. Vi meus parentes em fotos no museu, e nesse momento o museu me individualizou neste mundo. (hehe) Foi uma emoção ímpar!

Onde está o paradigma? Volto a dizer: não precisamos ir a uma cidade grande para visitar um museu. Não precisamos gastar nada pra ver a nossa história, para adquirirmos conhecimento e cultura. Não imaginamos como há pessoas preparadas para nos receber nesses museus. As pessoas não imaginam o quanto os dirigentes desses museus pequeninos, em cidades pequeninas, são tão atentos, tão sedentos de nos contar e nos situar na história (na nossa história), num país, muitas vezes, se mostrando desmemoriado. Num país cuja população vai votar, daqui a uma semana, e passado nem um ano, não vai se lembrar em quem votou.

A gente precisa, sempre, mudar de paradigmas. Precisa, sempre, experimentar mudar de leite condensado.

Museu do Café - Ibiporã-PR

domingo, 9 de setembro de 2012

NOVO LIVRO DO CARPINEJAR

A capa!

Fabrício Carpinejar concedeu uma entrevista para a Tania Morales, hoje, no Revista CBN, sobre o seu novo livro: "Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus".

O Fabrício de sempre: inteligente, bem humorado, irreverente e imperdível. 

Ouça:



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

"HERANÇA DE MARIA"

A belíssima capa do belíssimo livro.

Ganhei de presente de meus pais o último livro do Domingos Pellegrini – “Herança de Maria”, dias atrás, quando eu retornava de Curitiba.

Se há uma coisa que agradeço a eles, nesta e nas próximas encarnações, é o fato de eles terem me incentivado à leitura, desde os primeiros dias de escola, com os livros de histórias infantis, comprados de livreiros (mascates) que vinham vender na porta de casa, e morando em uma cidade tão pequena que nem existe no mapa. No meio do mato mesmo! (hehe)

Penso que o gosto pela leitura substitui, em parte, a impossibilidade de viajar; permite-nos voltar no tempo, ao encontrarmos nossas lembranças nas obras, ainda mais se o escritor for nosso contemporâneo; abre nossa mente para o diferente, ajudando-nos a quebrar paradigmas e preconceitos; faz-nos companheiros de nós mesmos (se não nos aguentarmos lendo um livro, é melhor procurarmos um psicólogo); irmana-nos em gostos e pensamentos a milhões de pessoas que estão a ler o mesmo livro; transforma-nos em agentes de conhecimento; faz-nos privilegiados, uma vez que muita gente sequer tem disponibilidade para uma leitura, seja por doença, por dificuldade de ordem financeira, de ordem moral, de tempo, de cabeça, de entendimento, ou sei lá o que.

Pois, neste momento, encaixo-me em muitas das situações que coloquei acima, e destacadamente por estar lendo outra obra de meu conterrâneo e contemporâneo. Sim, Domingos Pellegrini é um “pé-vermelho”, como eu!

Quando li “Terra Vermelha”, dele também, fiquei na dúvida se tirava ou não do topo, outro livro que elegi como o que mais gostei até hoje – “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez.

“Cem Anos” ocupou, por muitos anos, lugar de destaque na minha sala, como um objeto de estimação: eu o lera três vezes.  E, com ele, elegi também um dos tipos de livros que mais gosto de ler: os que falam de sagas de família. Os que contam histórias de gente que casa, que descasa, que briga, que faz as pazes, que muda de cidade, que lida com os mais variados tipos de sentimentos, que enfrenta todo e qualquer tipo de alegria e de tristeza, por gerações e gerações. É que gosto de me ver, e de ver minha família, nas outras famílias. As repetições, as lições, os porquês de sermos de um jeito e não de outro, os “espelhos”. Gosto de entrar na história e deixar que a história também tome conta da minha, com todos os “fantasmas” dos personagens passando uns dias na minha casa. (hehe)

“Terra Vermelha” levou-me aos meus avós, ao meu passado, que como os avós do Pellegrini, trilharam caminhos muito parecidos. A vinda do Estado de São Paulo, passando pelo rio Tibagi, os carregamentos de toras em carroças (tive um tio que morreu em um desses carregamentos), muita barreira (de barro mesmo!), muita luta, muito trabalho a fazer, e trabalho que deixou marcas na vida da minha família, tanto boas, quanto ruins. Falo pela minha irmã e por mim: a garra do povo do norte do Paraná fez diferença nas nossas vidas. Se crescemos profissionalmente, por exemplo, é porque tem muito das histórias que o Pellegrini conta em seus livros, na nossa vida.

No “Herança de Maria” não é diferente. O escritor conta a história de sua mãe, narrando as lembranças que tem e que agora "vê" projetadas na parede do quarto dela. Lembranças essas acompanhadas de "cobranças", ele sentado em um banco ao lado da cama onde o corpo da mãe vegeta, no leito de morte.  E essas histórias, além de me levarem à casa dos avós novamente,  levaram-me à casa de meus pais, eles, em vários aspectos, muito parecidos com os pais do autor.  Uma mãe que queria dar conta de muita coisa da nossa vida e do marido. E um pai que deixou as "rédeas" da casa por conta dessa mãe, e que depois de velho não sabe mais lidar com a "carroça desgovernada". Mas também, não sabe se quer mesmo! (hehe)

E mais: saindo do campo familiar, Domingos Pellegrini conta como eram as reuniões quando se engajou tanto na política estudantil, quanto nos “quadros revolucionários” que “lutavam” por um país “livre da opressão e da miséria”, e que nos dão a medida certa de quão utópicos, hipócritas e oportunistas são o comunismo e os partidos dele oriundos (formados pelos companheiros “da causa”). Imperdível! Uma aula de História e de Brasil!

Estou a um terço do final do livro, embora tenha começado a lê-lo há 15 dias. Também... parando pra destacar trechos, pra rir, pra chorar, pra reler e meditar sobre as falas, pra tomar um fôlego dos “fantasmas” todos na minha casa. (hehe). Mas de uma coisa já tenho certeza: vou terminar o livro e vou relê-lo. Talvez não todo, mas os trechos que destaquei justamente com essa finalidade.

Um monte de gente cabe nas histórias do Pellegrini. Um monte. Só por isso já vale a pena ler seus livros, tão cheios de vida, tão cheios de gente com vida!